quinta-feira, 24 de julho de 2014

MULHER NEGRA TEM HISTÓRIA !



Lourdimar Silva – MML Maranhão

O dia 25 de julho foi instituído como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, em 1992, quando a República Dominicana sediou o Iº Encontro de Mulheres Negras. Nesta data é importante lembrar a necessidade de reflexão em outros dias do ano, sobre as condições de vida das mulheres negras e o papel que cumprimos em resistir com garra e força diante da combinação do racismo, machismo, lesbofobia, transfobia e a exploração capitalista. Queremos lembrar este dia 25 de julho como dia de luta e resistência das milhões de mulheres, negras, que tiveram em suas trajetórias de vida a marca da exploração e opressão violenta que sofreram e sofrem. Em diversos aspectos da sociedade observamos o lugar que ocupa hoje a mulher negra, um lugar de inferioridade no mundo do trabalho, das maiores estatísticas no âmbito da violência, e são as que têm menos acesso aos serviços públicos.



 Quando tratamos de relações de trabalho, o setor mais vulnerável hoje na sociedade brasileira são as mulheres negras, que tem ocupado os piores postos, atividades de subemprego, baixa remuneração, sem proteção trabalhista e postos precarizados e insalubres, sendo a maioria no trabalho informal. Segundo dados do IPEA, a maioria das chefias de família hoje é de mulheres negras (51,1%), a maioria são mães solteiras e não possuem ninguém para dividir o cuidado com os filhos. Dados do IBGE nos mostram que do total da população que vive em situação de extrema pobreza, 70,8% são afrodescendentes e em sua maioria são mulheres. As mulheres negras chegam a receber 50% a menos que os homens brancos na mesma função.

O trabalho doméstico é uma função que é exercida em sua maioria por estas mulheres e por muito tempo não era regido pela legislação trabalhista, o que ainda o torna uma das mercadorias mais baratas, além de ser considerado trabalho inferior. Dos 7,2 milhões que exerciam trabalho doméstico, em 2009 (IPEA), 93% são mulheres. Dentro deste grupo, 61,6% são negras. Assim, para que o trabalho de outros se efetivem, como o marido, o patrão e mulher dona da casa,a mulher negra é condicionada em diversos níveis de subordinação e exploração. Todo esse perfil nos demonstra as raízes racistas e machistas da sociedade brasileira.


Estes são dados que demonstram que nós, mulheres negras e pobres, é que somos as mais atingidas com os problemas sociais. Somos nós que precisamos usar transporte coletivo, que temos menos acesso à escolaridade, que andamos em ruas mal iluminadas e paradas de ônibus sem segurança. Somos nós mulheres negras que, em situação de desigualdade, mais sofremos com a precariedade dos serviços básicos de saúde, educação e moradia.Grande parte destes problemas decorre dos cortes sociais nestas áreas, feitos para satisfazer banqueiros. Em São Paulo, faltam 107 mil vagas em creches. No que se refere à saúde a redução de gastos vai piorar ainda mais as precárias condições existentes, já que hoje muitas mulheres negras são levadas à morte em razão de abortos e da predisposição biológica para doenças étnicas. Cerca de 1600 mulheres morrem por causa da gravidez, antes ou durante os primeiros 42 dias após o parto. No Brasil, o direito ao aborto legal e público tem sido sistematicamente barrado pelos governantes e seus aliados entre os setores mais conservadores da sociedade.O resultado tem sido um aumento significativo de mortes decorrentes de abortos improvisados, clandestinos e perigosos.

Sobre a realidade brutal da violência contra a mulher a nível mundial, nós mulheres negras somos, nos anos entre 2007 e 2009, mais de 80% das mulheres assassinadas. Isto ocorre como consequência, muitas vezes, de outros tipos de violência, abusos, pressão psicológica, violência doméstica, tráfico de pessoas, estupros. Somos 60% das vítimas da violência doméstica e sexual. Moramos nos bairros pobres com ruas mal iluminadas e inseguras, e onde faltam delegacias da mulher e casas-abrigo. Uma dura combinação de falta de políticas sociais, super exploração e violência por parte da polícia. Somos vítimas da violência policial, nossos filhos são diariamente assassinados nas periferias de todo o país.

Maria de Fátima, mãe do DG



A política de criminalização da pobreza nos vitima todos os dias das mais variadas formas. O caso da Cláudia Ferreira da Silva, uma mulher negra e trabalhadora, auxiliar de serviços gerais do hospital Naval Marcílio Dias, que foi assassinada a tiros pela polícia em março do ano passado é emblemático e está presente em nossa memória. A história da Claudia é a história de milhares e não esqueceremos. E da dor tiramos forças para lutar e para combater o machismo e o racismo. 


Durante todo o percurso da história no Brasil escravista, nós mulheres negras fomos transformadas em objeto sexual e alvo de constantes estupros, abusos sexuais, pelos senhores de engenho e de seus filhos. Passamos a ser vistas como objeto de reprodução sexual, e nossa sexualidade, considerada como algo exótico, excitava senhores e iniciava seus filhos à prática sexual. A utilização sexual das mulheres e a prostituição eram consentidas pelas famílias burguesas e pela Igreja Católica, que via nessas práticas formas de proteger a sexualidade das “mulheres de boas famílias” e as esposas que não podiam sentir prazer, cabendo-lhes apenas o papel de reprodutora.  

Em situação de grande exploração, falta de acesso aos serviços de saúde, educação, transporte, moradia, as mulheres negras são expostas à brutais situações de violência ligada a exploração sexual. Mesmo com dados insuficientes sobre o tema, uma pesquisa no Brasil, baseada em dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República,demonstrou que foram registrados, entre 2003 e março de 2011, 52 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes de todo o país, sendo que oito em cada dez vítimas são meninas.
 
É vergonhoso que uma mulher que se encontra no principal posto de poder hoje no país, seja a diretamente responsável pelos sofrimentos impostos aos trabalhadores, sobre tudo às mulheres negras. A ausência ou a não aplicação de políticas públicas para as mulheres pelos governos é uma violência institucional que atinge principalmente as mulheres trabalhadoras negras. As leis que punem são importantes para proteger a mulher e tentar coibir os casos de violência. O descaso da presidente Dilma com a situação das mulheres hoje no Brasil é mais uma demonstração de que estes problemas são faces de uma questão mais profunda, relacionada diretamente à uma questão de classe. As raízes do nível e opressão e exploração sofrida por nós mulheres negras e por todos os setores oprimidos, estão ligadas às bases em que se sustenta a sociedade capitalista. As formas de opressão é uma ferramenta usada pela burguesia, para melhor explorar, aumentar seus lucros e dividir a classe trabalhadora. Os dados e a realidade nos mostram que as mulheres que mais sofrem com o racismo e o machismo são as mulheres trabalhadoras, e Dilma como presidente não defende nossos interesses, mas sim os interesses da classe a que pertence: a burguesia. 

O governo do PT retira direitos e suas políticas não tem nenhum compromisso com a promoção da igualdade racial. É preciso investir em uma política específica para as mulheres negras, que vise combater o desemprego, a violência e a baixa formação escolar que atingem particularmente a população feminina negra. Precisamos de creches públicas para que possamos trabalhar e ter independência financeira. Para isso é preciso aplicar 10% do PIB para educação.Queremos acabar com a discriminação no mercado de trabalho, por isso defendemos a constituição de uma lei nacional que garanta salário igual para trabalho igual. Defendemos as políticas de cotas raciais, as políticas afirmativas e de reparações, nas universidades, no mundo do trabalho e em todos os espaços onde não esteja refletida a realidade populacional negra.

No Brasil as experiências de lutas dos negros se deram através de fugas, revoltas individuais e grupais, atos isolados, etc., porém foram os quilombos, principalmente o de Palmares, que durou aproximadamente sessenta e cinco anos, onde observamos a maior tentativa de autogestão com organização militar, econômica e social. As mulheres negras tiveram papel importante nas lutas, suas atuações foram diversas: suicídio, abortos, organização de fugas, nos movimentos emancipatórios, etc., além, das formas mais ativas como revoltas, guerrilhas e organização de quilombos. As mulheres negras cumpriram papel importante e determinante na resistência da cultura africana no Brasil, principalmente através da religião.O poder que as mulheres exercem nos territórios de terreiros é variado incidindo sobre organização de vida individual e social.

Entendemos que é preciso resgatar a força e a coragem das mulheres que resistiram às condições de escravidão, das mulheres quilombolas e indígenas, para que junto, homens e mulheres trabalhadoras lutem contra o capitalismo que se nutre da opressão para garantir o lucro acima de tudo. Nossa luta, contra o racismo, o machismo e qualquer forma de opressão, é também uma luta pela construção de uma sociedade sem classes, por isso lutamos pela construção do socialismo pois acreditamos que a liberdade e a emancipação das mulheres negras não se dará nesta sociedade. Queremos que todos os dias sejam de luta e resistência contra o machismo, racismo e todo tipo de opressão!






 

terça-feira, 22 de julho de 2014

25 de Julho: Dia latino americano e caribenho de luta das Mulheres Negras!

Mulher negra, trabalhadora e jovem, dia 25 é dia de celebrarmos nossa garra e de lutarmos! Assim como nossas irmãs haitianas, nós negras brasileiras, mesmo fora da escravidão seguimos sendo o maior alvo da violência sexual e policial e também das correntes do subemprego! 

Caroline Maria de Jesus, Rosa Parks, Luísa Mahin e Dandara Presentes!
Veja porque você também deve se somar a essa luta:

• O Brasil possui 7 milhões de empregos domésticos. Mais de 60% são ocupados por negras. Somos maioria no trabalho terceirizado, temporários e telemarketings.


• Nossos salários não chegam até o fim do mês. Desde 2009, negras chefiam famílias com renda de 500,00 mensais e, 70% desses lares não possuem máquina de lavar.


• Somos 60% das vítimas da violência doméstica e sexual. Moramos nas periferias com ruas mal iluminadas e inseguras, e onde faltam delegacias da mulher e casas-abrigo. Sobram estupros, abortos inseguros e impunidade.


• Faltam 107 mil vagas em creches e pré-escolas em SP. Somos nós negras da periferia, que sem opção, deixamos nossos filhos ao cuidado dos irmãos mais velhos e parentes.


• Dependemos dos serviços públicos de transporte, saúde e educação e passamos muito sufoco. Filas imensas, falta de vagas, pouca qualidade e muita espera para consultas são a regra.


• Jovens negros têm 136% mais chances de serem assassinados que jovens brancos. A violência policial e os confrontos com tráfico geram um extermínio, que leva a vida de filhos, irmãos e maridos.





Confira agenda das atividades e participe dessa luta!

Todas essas atividades também discutem e divulgam a Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro- Dia 22 de Agosto, concentração 17:30 Vão do Masp!
AGENDA DAS ATIVIDADES

Dia 25 de Julho:

 
6h- Panfletagem na Estação de Metrô Capão Redondo

6h- Panfletagem na Estação de Trem de São Miguel Paulista.

17h- Atividade do SINDSEF-SP no Dia de Luta Latino Americano e Caribenho da Mulher Negra-Hotel São Paulo Inn, Largo Santa Ifigênia, 44 - Centro - Próximo ao metrô São Bento.

19h- Atividade da Subsede Apeoesp São Miguel no Dia de Luta Latino Americano e Caribenho da Mulher Negra- Rua Corveta Beberibe, 36- Cidade Nova São Miguel- Trav. da Avenida Mohamed Ibrahim Saleh, próximo do ponto final da linha1178 Correio-São Miguel.

20h- Panfletagem no Festival de Hip Hop de Perus- Praça Inacio Dias, em frente a Estação de Trem Perus, Linha 7 Rúbi da CPTM.

Dia 26 de Julho:

 
6h- Panfletagem na TMKT (Serviços de Telemarketing) -Avenida Brasil, 1230 - Calmon Viana-Poá- Próximo a estação Calmon Viana da CPTM.

14h- Discussão na Plenária Estadual da CSP-Conlutas- No SINDSEF - rua Alváro Penteado, nº 97 - 6ºandar/centro

18h – Panfletagem no festival de Hip-Hop de Perus - Céu Perus

Dia 02 de Agosto:

 
15h- Debate sobre a violência contra às mulheres na Associação do Jardim das Rosas- Rua Abril Peres nº1, uma rua paralela a Av. Dom rodrigo Sanches, região do Capão Redondo, (Ponto de referência: Creche do Jardim Irene/ ou Igreja Católica Santa Terezinha)




Entre no evento do facebook para acompanhar informações atualizadas: https://www.facebook.com/events/718960848176867/?ref=22&source=1

segunda-feira, 21 de julho de 2014

REUNIÃO DE ORGANIZAÇÃO DO SEMINÁRIO NACIONAL DO MML

Nessa terça feira acontecerá em São Paulo a primeira reunião aberta de organização do Seminário Nacional do MML que será realizado nos dias 16 e 17 de agosto na cidade de São Paulo. Convidamos as companheiras das Executivas Nacional e Estadual, bem como dos movimentos populares, sindicatos, oposições, entidades estudantis e demais interessadas em fazer parte a se somarem conosco. Será as 16h30 na sede da CSP Conlutas Nacional.



sábado, 19 de julho de 2014

O vagão exclusivo em SP sob uma perspectiva feminista classista

Nos últimos dias está em destaque o debate sobre o tema da implantação dos vagões exclusivos para mulheres no metrô de São Paulo. Desde o ano passado o MML se posicionou favorável a essa política, posicionamento este que foi votado no 1º Encontro Nacional do MML composto por mais de 2000 mulheres trabalhadoras e da juventude, algumas delas representando outros espaços e coletivos feministas. Nas resoluções deste encontro aprovamos um programa para o transporte coletivo que abrangia a defesa dos vagões exclusivos, enquanto uma medida protetiva imediata a qual sabemos que não é auto-suficiente para resolver o problema do assédio e do machismo vivido pelas mulheres no transporte público. Essas resoluções podem ser encontradas no blog do MML.
 


O Descaso dos Governos e a pressão dos movimentos sociais

O fato é que as mulheres que são vítimas do assédio no metrô, são as mesmas vítimas de assédio nos ônibus lotados, são as que correm risco de serem estupradas no caminho de casa para o trabalho ou estudo porque estão nas periferias da cidade, sem segurança ou iluminação pública em seus bairros. Não por outro motivo, em recente pesquisa do Datafolha 73% dos paulistanos se colocaram a favor da medida de criação dos vagões exclusivos.
Nós mulheres do MML-SP prezamos o feminismo classista. Por isso, combinado com a luta ideológica de combate ao machismo, também lutamos e defendermos medidas imediatas que atendam pautas do cotidiano das mulheres trabalhadoras. Sabemos que o projeto de Lei aprovado na assembleia legislativa de São Paulo, só foi pautado nesta casa devido a pressão dos movimentos feministas que denunciaram os alarmantes índices de assédio e estupro que vinham acontecendo no metrô desta cidade. Inclusive nós, do Movimento Mulheres em Luta, tocamos a campanha “Não me encoxa, que eu não te furo” na qual entregamos alfinetes e panfletos com nosso programa de combate a violência para as mulheres nas estações. O objetivo da campanha era justamente denunciar a falta de política pública do Governo do estado para proteger as mulheres e sua postura de incentivar a prática do “xaveco” no trem lotado, em propaganda de rádio.
Por isso, não temos nenhuma ilusão de que essa medida aprovada tem a ver com a preocupação dos parlamentares com a situação vivida pelas mulheres, mas sim é uma resposta a pressão feita pelos movimentos sociais, logo é uma conquista das mulheres trabalhadoras. Porém, mesmo sendo uma conquista ainda é bastante limitada, pois o projeto visa apenas a disponibilidade de um vagão em cada composição e não funcionará nos finais de semana e feriado.

Um vagão não resolve, vem mais luta por ai!

As mulheres são 58% dos usuários do metrô, logo um vagão será completamente insuficiente, da mesma forma que todos sabem que as condições de superlotação do metrô não ocorrem apenas em horários de pico, tão pouco apenas nos dias de semana. Por isso, seguiremos exigindo um projeto consequente para combater a violência contra as mulheres, que passa por atingir todos os meios de transporte da cidade, incluir campanhas de conscientização acerca do problema do assédio as mulheres e do machismo, com fiscalização firme e punição aos assediadores. Exigimos ainda suporte jurídico e atendimento psicossocial paras as mulheres vítimas deste tipo de violência. Além disso, é necessário ampliar a frota e garantir um serviço de transporte público, gratuito e de qualidade para a população em geral, em especial para as mulheres. Por isso, exigimos a aplicação de, pelo menos, 2% do PIB no setor.
Como podemos perceber nossa luta não acaba aqui. Pelo contrário, avaliamos que na sociedade capitalista as demandas das mulheres trabalhadoras não são levadas a sério pelos governos, nem é interesse acabar com o machismo, visto que este contribui com a super-exploração das mulheres e da classe trabalhadora em geral. Nesse sentido seguiremos lutando pelas medidas imediatas, que são direitos nossos, mas travaremos uma batalha incansável para superar o capitalismo e construir uma sociedade em que não exista machismo e que as mulheres sejam verdadeiramente livres.

- Vagão exclusivo para mulheres proporcional ao número de usuárias!
- Suporte jurídico e psicossocial para as vítimas de assédio no transporte coletivo!
- Punição aos agressores!
- Que os governos Federal, estadual e Municipal garantam uma campanha contra o assédio sexual no transporte!
- 2% do PIB para o transporte público

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NA COPA AS MULHERES EM LUTA DERAM CARTÃO VERMELHO PARA O TURISMO SEXUAL!


Acabou a Copa do Mundo da FIFA e chega aquele momento de iniciarmos um balanço do “legado” da Copa no Brasil. Infelizmente a seleção brasileira não foi campeã, mas pior que o resultado da nossa seleção em campo, foram as denúncias de turismo sexual que se multiplicaram ao longo do mundial.   



Desde o início a Copa do Mundo foi marcada pela exploração sexual do corpo da mulher brasileira. Antes mesmo de iniciar os jogos, a ADIDAS colocou a venda, através do seu site nos Estados Unidos, camisetas com imagens que fazem apologia ao turismo sexual. Em Florianópolis - SC, que não é uma das cidades-sedes da Copa, mas que recebeu um congresso técnico da FIFA em fevereiro desse ano, as representações das 32 seleções foram recebidas com um encartado “Welcome to Brazil”, dentro de um jornal local, onde continha diversas fotos de mulheres de biquíni e embaixo a propaganda de um clube de streap-tease da cidade. Luciano Huck, conhecido apresentador da Rede Globo, foi denunciado ao Ministério Público por crime de exploração sexual pelo seu quadro “Namorada para Gringo”, quadro que convocava mulheres do Rio de Janeiro a mandarem fotos para tentar arranjar um namorado “gringo” aproveitando a Copa do Mundo.
O resultado de todo esse incentivo ao turismo sexual não poderia dar em resultado diferente: redes de prostituição operando ao redor dos estádios e nas “Fan Fest”, crianças e adolescentes realizando programas nas cidades-sedes a partir de R$ 10,00 e o crescimento dos casos de violência contra a mulher em dias de jogo.
O aumento do turismo sexual já é um histórico da Copa do Mundo. Na África do Sul em 2010, houve um aumento de 63% nos casos de exploração sexual infantil e de 83% no número de ocorrências de abuso sexual contra mulheres. Na Copa da Alemanha, em 2008, não foi diferente, os abusos contra crianças aumentaram em 28% e contra as mulheres em 49%.
No Brasil não se tem ainda um levantamento oficial do impacto da Copa para o turismo sexual. Porém, segundo a Folha de São Paulo, a expectativa que a rede de prostituição aumente seus lucros em 60%. Em Fortaleza – CE, que foi uma das cidades-sede, nos últimos 3 anos, com o fluxo da construção do Estádio e da vinda de estrangeiros, houve um aumento de 150% de exploração sexual de crianças e adolescentes.  Cabe-se lembrar que o Brasil é o 2º país no mundo no ranking do turismo sexual infanto-juvenil e o 1º da América Latina. 
Diante de todo esse quadro, o Movimento Mulheres em Luta de norte ao sul do país esteve nos atos contra as injustiças da Copa, nos canteiros de obras, nos locais de estudo e trabalho com a Campanha “Cartão Vermelho Contra o Turismo Sexual”. Fomos para as ruas levando o nosso cartão vermelho contra ao turismo sexual e também contra todas as injustiças da Copa. Cartão vermelho para o machismo e para o capitalismo, que transforma o corpo da mulher em mercadoria para gerar lucro. 
Damos também cartão vermelho ao Governo Dilma Rousseff (PT) que foi incapaz de realizar campanha efetiva contra o turismo sexual, deixando com que milhares de brasileiras sejam vítimas dessa exploração. Acabou a Copa do Mundo, mas o Movimento Mulheres em Luta não saíra das ruas em defesa das mulheres trabalhadoras!
Ceará

Distrito Federal

Minas Gerais

Pará

Rio Grande do Sul

São Paulo

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Carta às entidades, sindicatos, oposições e movimentos da CSP Conlutas


O Movimento Mulheres em Luta saúda mais uma reunião da Coordenação Nacional da nossa Central Sindical e Popular. Esse é um momento muito importante para a classe trabalhadora desse país.   

Agora, diante dos debates acerca do legado da Copa do Mundo, após sua realização no Brasil e com inúmeras greves acontecendo, a organização e articulação dos sindicatos, entidades e movimentos sociais para lutar pelos nossos direitos e contra as injustiças da Copa se fazem extremamente necessários.   

Nesse sentido e também compreendendo a centralidade do fortalecimento da nossa classe através da organização dos seus setores mais oprimidos é que também gostaríamos de convidar todas as organizações aqui presentes para participarem do Seminário Nacional do MML, que será realizado nos dias 16 e 17 de Agosto, em São Paulo.   

É um seminário nacional para debater as próximas iniciativas da Campanha Nacional Contra a Violência e também elaborar e aprovar o estatuto do Movimento Mulheres em Luta, um passo importante para a legalização jurídica do movimento.   

No seminário haverá a participação da executiva nacional do MML, das executivas estaduais e entidades que constroem o MML. O Movimento Mulheres em Luta é um movimento nacional de Mulheres trabalhadoras filiado a CSP-Conlutas, pois entendemos a luta contra o machismo como uma luta da classe trabalhadora.   

No final de 2013, realizamos o nosso I Encontro Nacional, que contou com a participação de mais de 2000 mulheres. Esse encontro debateu e organizou iniciativas de luta contra a opressão por todo o país. Agora mais um passo importante precisa ser dado, é preciso que continuemos avançando.   

Queremos construir um seminário com forte presença de todos os sindicatos, oposições e movimentos aqui presentes, que fazem parte da Central. Temos certeza que a participação das companheiras que dirigem sindicatos importantes em todo o país, nesse momento em que estão sendo travadas grandes lutas e mobilizações, vai enriquecer e muito essa ferramenta de organização das mulheres trabalhadoras.

domingo, 13 de julho de 2014

MML no Sul da Bahia avança na sua organização

Mosaico de fotos organizado pelo MML do Sul da Bahia
Com objetivo de fortalecer a organização das mulheres nos movimentos populares, sindicatos e demais movimentos classistas na luta contra a opressão à mulher, no Sul da Bahia, o Movimento Mulheres em Luta (MML), convida a todas e todos a participar de sua plenária de apresentação, em Itabuna.

A Plenária ocorrerá no dia 14 de julho de 2014, das 18 às 20 horas, na Sala de Reuniões da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), situada na Praça Laura Conceição, 339, Centro. A atividade irá reforçar a Campanha Nacional Contra a Violência à Mulher na região.

A violência contra o gênero feminino reveste-se de múltiplas formas, seja na mercantilização do corpo pelas grandes empresas, pela agressão física ou simbólica. Pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo apresentou dados alarmantes da violência contra as mulheres no Brasil, onde mais de 2 milhões de mulheres são espancadas por ano, porém apenas 40% denunciam.

A Lei Maria da Penha, lei nº 11.340/06, criou mecanismos para coibir e prevenir a violência contra a mulher, mas precisa ser melhor efetivada com a aplicação de políticas públicas que garantam a sua implantação. Neste sentido, a plenária contará com a participação da Prof.ª Msc. Saskya Miranda Lopes, que irá debater implantação e aplicação da Lei Maria da Penha em Itabuna, Bahia. 

Saskya Lopes é Professora do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, pesquisadora e coordenadora do Grupo Redireito: revisando direitos em gênero, étnico/raciais, geracionais e sustentabilidade e Vice-coordenadora do SER-Mulher: serviço de referência dos direitos da mulher, no qual desenvolve pesquisas voltadas para as ferramentas protetivas das mulheres em situação de violência.

Enfrentar a violência hoje significa questionar estereótipos, afirmar a igualdade de gênero no âmbito cultural e social, e implantar mecanismos democráticos que sejam capazes de garantir a cidadania plena.

Precisamos levantar a discussão sobre a violência contra a mulher no Sul da Bahia, identificar os principais problemas enfrentados pelas mulheres que sofrem violência física e psicológica, e como combatê-las. É com esse propósito que convidados a todas e todos a participar desta atividade e fortalecer a luta por uma sociedade que garanta a igualdade entre os gêneros.

Contatos:
mml.sulbahia@gmail.com

Evento: 

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