terça-feira, 21 de outubro de 2014

Todo apoio à greve da CONTAX em Porto Alegre!

O Movimento Mulheres em Luta se orgulha em ser parte dessa greve histórica que trabalhadores e trabalhadoras da CONTAX de Porto Alegre realizam! É visível que na força da greve está contida a força das mulheres trabalhadoras, grande parte da categoria do telemarketing em todo o país. 


Este setor de trabalho é um dos setores que mais possui denúncias de péssimas condições de trabalho e assédio moral, além de muitas doenças em decorrência dessas condições. Não a toa, é um setor com cerca de 85% de rotatividade, porque as condições impostas, o assédio dentro da empresa e do outro lado da linha são constantes, desgastantes e insuportáveis.

O telemarketing é uma ramo de trabalho que ganha força com o processo de terceirização de diversos ramos de serviço de grandes empresas. Essa terceirização vem no sentido de precarizar as condições de trabalho e submeter os setores mais oprimidos a condições de extrema superexploração. 

É por isso que viver a combatividade desses trabalhadores e trabalhadoras através de uma greve resistente, que dura mais de 10 dias, é ver a força dos trabalhadores se impor sobre a injustiça da superexploração e do assédio moral!


Essas mulheres e homens já viraram heróis e motivo de inspiração para as lutas dos trabalhadores em todo o país! Força para a greve! Força para as operadoras e operadores da CONTAX! Aqui não tem história, é greve até a vitória!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Lugar de mulher é nas greves e manifestações: contra a criminalização de quem luta! Somos todas Sandra Fortes!



Lugar de mulher é nas greves e manifestações: contra a criminalização de quem luta!
Somos todas Sandra Fortes!
A companheira Sandra Fortes foi uma das dirigentes da greve do funcionalismo municipal de Taboão da Serra. A paralização durou cerca de 20 dias, no mês de junho passado e tinha como reivindicações o cumprimento da data base, o reajuste salarial e direito há anos ignorado pelos prefeitos da cidade. A maioria da vanguarda que conduziu a greve era composta por mulheres, que se enfrentou com o prefeito e seus secretários, com a Câmara de Vereadores subordinada ao executivo e com a legião de "livre nomeados" (diretores, supervisores, chefes, etc.) que oprime os servidores nos locais de trabalho. O prefeito se recusou a negociar, mas foi obrigado pela greve a conceder um abono salarial de R$100 a R$200 aos trabalhadores das faixas salariais menores.
 O prefeito da cidade, Fernando Fernandes, do PSDB, abriu um processo administrativo calunioso contra a professora Sandra Fortes, membro da Executiva da Sub-sede da Apeoesp Taboão e da diretoria da ATRASPACTS (Associação dos Trabalhadores da Prefeitura, Autarquias e Câmara de Taboão da Serra). Com o retorno ao trabalho, o governo passou a perseguir as lideranças da greve, transferindo arbitrariamente quatro profissionais de seus locais de trabalho e ameaçando muitos outros. Através de liminar na Justiça, o prefeito foi obrigado a pagar os dias da greve que havia descontado dos salários dos trabalhadores da Secretaria da Educação, mas os das secretarias da Assistência Social, Manutenção e Cultura ainda não receberam e aguardam uma decisão judicial.
Criminalização e perseguição política
O caso da companheira Sandra é parte do conjunto de ataques sofridos pelos trabalhadores que ousam lutar e reivindicar melhores condições de trabalho e remuneração. Foi assim na histórica greve dos metroviários de São Paulo a qual foi respondida com total autoritarismo pelo governo do Alckmin/ PSDB, através da demissão de 42 dos principais ativistas da greve. Esse ataque segue, após a reeleição desse governo, com a cassação da liminar que reintegrou parte dos trabalhadores.
Os ataques à Sandra Fortes iniciaram logo no começo da mobilização, quando o prefeito declarou aos jornais que ela era responsável pela greve devido a "interesses partidários". Em seguida, o líder do governo na Câmara, vereador Marco Porta (PRB), tentou criminalizá-la colocando em dúvida o diagnóstico de cisto na corda vocal que levou a Medicina do Trabalho da Prefeitura a readaptar a forma de trabalho de Sandra. O vereador acusou-a de não ter voz para trabalhar, mas ter voz para falar no carro de som dos grevistas, acusação que foi repetida integralmente pelo prefeito numa coletiva à imprensa.
Na portaria que informa a instauração do processo administrativo, o prefeito acusa falsamente Sandra Fortes de "suposto aliciamento de menores", devido ao fato de alunas e alunos da escola em que a professora trabalha terem escrito "cartinhas" ao prefeito solicitando melhorias para o funcionalismo e a Educação Pública.Estes fatos demonstram que há uma perseguição política promovida pelo governo do PSDB às lideranças do funcionalismo. À exemplo de seu chefe, o governador Alckmin, o prefeito de Taboão se vale de acusações falsificadas com o objetivo de difamar e criminalizar Sandra Fortes.
Todo apoio à professora Sandra Fortes! Pela retirada do processo!
Nós, do Movimento Mulheres em Luta, acompanhamos uma série de greves e manifestações dos trabalhadores pelo país inteiro. Em especial, estivemos presentes nas lutas que tinham as mulheres como base principal de mobilização como a educação, a saúde e o funcionalismo de um modo geral. Achamos fundamental a presença dessas mulheres na luta junto com sua classe, principalmente cumprindo papel de liderança. Isso porque sabemos das barreiras e dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras para se organizarem e tomarem a dianteira dos processos de luta.
Nesse sentido, nos solidarizamos com a companheira Sandra Fortes e denunciamos toda forma de criminalização dos que lutam pelos governos de plantão. È necessário, cada vez mais, fortalecer a unidade entre os trabalhadores e darmos um basta nesses ataques ao nosso direito de questionar e manifestar nosso descontentamento com as políticas de arrocho salarial e precarização dos serviços públicos.
·         LUTAR NÃO É CRIME!
·         NENHUMA PERSEGUIÇÃO E REPRESSÃO AOS QUE FAZEM GREVE E LUTAM!
·         PELO ARQUIVAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO CONTRA A PROFESSORA SANDRA FORTES!
·         PAGAMENTO DOS SALÁRIOS DE TODAS AS TRABALHADORAS E TRABALHADORES PERSEGUIDOS POR LUTAR! 



  



Participe das manifestações em apoio à professora Sandra!

14/10 – Manifestação dos servidores públicos
Onde:Câmara Municipal de Taboão da Serra
Hora: 18h

16/10 – Vigília de solidariedade
Onde: Praça Miguel Ortega, 280, Parque Assunção




sábado, 27 de setembro de 2014

PELA VIDA DAS MULHERES: É NECESSÁRIO DESCRIMINALIZAR E LEGALIZAR O ABORTO NO BRASIL.

O Brasil é um dos países do mundo que possui uma legislação restritiva em relação ao aborto. As conseqüências disso podem ser observadas em estatísticas alarmantes. No Brasil anualmente são feitos um milhão de abortos clandestinos. A cada ano são feitas 250 mil internações para tratamento de complicações decorrentes de abortos feitos em condições inseguras e precárias. Uma em cada cinco brasileiras já abortou. A cada dois dias, uma brasileira morre por aborto inseguro. É uma das maiores causas de morte materna.
Devemos todos nos perguntar se uma mulher que faz o aborto deve mesmo ser presa, pois atualmente o aborto é crime no Brasil e a lei prevê de um a três anos de prisão para a mulher que provoque um aborto em si mesma ou consinta que outros o façam. Ele só é permitido apenas em três casos: gravidez em que há risco de morte para a mulher, quando o feto é anencéfalo e em caso de estupro. E ainda assim, as mulheres que se enquadram nesses casos e que precisam recorrer ao SUS, são discriminadas, mal tratadas ou constrangidas para que mudem de opinião e desistam do procedimento. Se a lei abarcasse todos os abortos clandestinos feitos, cerca de 20% das mulheres brasileiras estariam ou teriam sido presas. O Código Penal vigente é de 1940, e precisa urgentemente de atualização não para retrocede, mas para avançar nos direitos das mulheres. É necessário parar de tratar as mulheres como criminosas e compreender que esse é um grave problema de saúde pública, para acabar com tantas mortes decorrentes do aborto inseguro. Nos países onde o aborto foi legalizado, as mortes diminuíram drasticamente. Também diminuíram os casos de aborto, pois com orientação sobre o próprio corpo e sexualidade, utilização correta de métodos contraceptivos, as chances de engravidar diminuem.
Mas nem todas as mulheres são iguais. Se por um lado todas somos obrigadas pela lei a fazer abortos de forma clandestina, são as mulheres trabalhadoras, pobres e em sua grande maioria negras que sofrem com as condições inseguras. As mulheres ricas caso tenham uma gravidez indesejada, podem recorrer a clínicas de alto padrão, pagando um preço altíssimo ou mesmo indo para um país onde o aborto seja legalizado, para fazer o procedimento de forma segura, rápida e sigilosa. As mulheres pobres são obrigadas a usar métodos inseguros em casa ou recorrer a clínicas de fundo de quintal. São as mais pobres que morrem ou sofrem seqüelas decorrentes de abortos mal feitos. São as pobres que são criminalizadas.
O caso mais recente, da jovem trabalhadora Jandira Magdalena, só mostra a necessidade urgente de descriminalizar e legalizar o aborto em nosso país, para acabar com as mortes e seqüelas decorrentes dos abortos clandestinos e inseguros. As mulheres fazem aborto, sendo legal ou não, porque sempre existirão gravidezes indesejadas. A criminalização só é eficiente para torná-lo inseguro e pôr a vida das mulheres em risco, não pode ser que se fechem os olhos para essa realidade. E nessas eleições mais uma vez os direitos e a vida das mulheres são rifados em troca de votos. Os candidatos que têm reais chances de ganhar a eleição, Dilma, Marina e Aécio, se negam a apontar qualquer saída para esse grave problema enfrentado pelas mulheres pobres e trabalhadoras do país.
É também é importante que se discuta as condições oferecidas para as mulheres que decidem dar continuidade a gravidez. A maternidade é tratada como responsabilidade única e exclusiva da mulher. Os governos não garantem políticas públicas eficientes para que tenhamos garantido o direito de ser mãe, caso o desejemos. Faltam trabalhos dignos e também estabilidade no emprego quando engravidamos. O custo de vida é muito alto e os salários são baixos, dificultando muito o sustento de uma família. Faltam creches e escolas para os filhos e filhas dos trabalhadores, obrigando as mulheres a abandonarem o trabalho e o estudo para cuidar dos filhos. Faltam moradias para vivermos com nossas famílias. Nossos filhos morrem nas filas dos hospitais pela falta de vagas ou pelas mãos da polícia nas periferias do país.
É para mudar tudo isso que nós, Mulheres Trabalhadoras, lutamos!
O dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto foi instituído em 1999, no 5° Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho. Uma data importante de luta das mulheres em todo o continente. Estão sendo organizados atos em diversos países da América Latina e Caribe e também aqui no Brasil em vários estados.
Nós do Movimento Mulheres em Luta fazemos parte dessa mobilização, é muito importante que em todos os estados nos organizemos e preparemos nossas ações: atos, intervenções na rua, panfletagens, debates, etc. Tanto para marcar e dar visibilidade a essa pauta histórica do movimento como também para exigir dos governantes e candidatos que parem de negligenciar a vida de milhares de mulheres brasileiras.

- Educação sexual para prevenir. Anticoncepcionais gratuitos e sem burocracia para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer. Pela descriminalização e legalização do aborto no Brasil.
- Compromisso de veto ao Projeto de Lei do Estatuto do Nascituro.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

MULHERES DE QUEIMADAS: NÃO ESQUECEREMOS!



Pela punição de todos os envolvidos. Queremos justiça para as Mulheres de Queimadas!
 
Hoje, dia 25 de setembro de 2014, depois de dois anos e sete meses de espera, chegou a data em que Eduardo dos Santos Pereira, o acusado de ser o mentor  de um estupro coletivo, vai a júri popular. Queremos justiça!
 O machismo está chegando a níveis de barbárie completa na nossa sociedade. Casos como esse, o estupro coletivo das mulheres na cidade de Queimadas em fevereiro de 2012, mostram o grau de brutalidade a que se pode chegar e escancaram a realidade da violência contra as mulheres no nosso país e a total falta de políticas públicas para dar fim a essa situação.  
O estupro coletivo aconteceu durante uma festa de aniversário e foi planejado como presente pelo irmão mais velho do aniversariante, o Eduardo dos Santos. No decorrer da festa forjou-se um assalto e a casa foi invadida por nove homens encapuzados que sabiam de tudo e que estupraram as mulheres em verdadeiras cenas de horror. Duas das vítimas foram assassinadas justamente por terem reconhecido os seus agressores: homens da vizinhança e parentes dos organizadores da festa.  A professora Isabela Pajuçara de 27 anos e a secretária Michelle Domingos de 29, depois de terem sido brutalmente violentadas, foram assassinadas por reconhecerem os estupradores o que poderia colocar em risco todo o plano deles.


Em momentos como esse todos se perguntam quais as razões de crimes absurdos como esse acontecerem. É importante dizer que eles não vêm de uma maldade em abstrato. Crimes como esses acontecem devido ao machismo fortemente arraigado e à naturalização da violência contra as mulheres, são frutos de toda a degeneração da sociedade causada pelo capitalismo. E devem ser combatidos!
Os dados da violência contra as mulheres no Brasil são alarmantes e revelam que é preciso parar de uma vez por todas de fechar os olhos, parar de negligenciar a vida de milhares de mulheres que diariamente são assassinadas. É absolutamente urgente que se faça algo e que se tenha como hierarquia a vida das mulheres. Combater o machismo é uma tarefa urgente, uma tarefa do presente.

E infelizmente o enfrentamento à violência contra as mulheres não tem sido prioridade de nenhum governo, tanto municipais como estaduais e federal. No Brasil, a cada 5 min uma mulher é espancada e a cada 2 horas uma é assassinada devido à violência doméstica. Somos o 7º país que mais mata mulheres no mundo. Trata-se de uma verdadeira epidemia que atinge a todas nós.


Chega de tanto machismo! Chega de tanta violência contra as Mulheres!