sexta-feira, 12 de setembro de 2014

5º Congresso da Fenametro debate direito de greve e organização sindical


A Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro) realizará o 5° Congresso da entidade de 11 a 14 de setembro, em São Paulo, no Hotel Excelsior. A abertura do evento será na Sede do Sindicato dos Metroviários, no dia 11/9, às 19h,  e todos  podem participar.



 No primeiro dia do Congresso haverá um ato solene em defesa das liberdades democráticas e pela reintegração de todos os metroviários demitidos e perseguidos por lutarem por melhores condições de vida e trabalho.

 Os representantes da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, Joaninha de Oliveira e Paulo Barela, participarão do evento representando a Central. O primeiro falará na solenidade abertura, e o segundo participará do debate sobre conjuntura.

Serão discutidos nesta atividade os problemas e anseios dos trabalhadores metroviários e de toda a classe, com destaque para a questão da mobilidade urbana, pauta que ganhou às ruas e praças nas manifestações de junho 2013.

 Serão abordados também os ataques ao direito de greve, de manifestação e de organização sindical no país, em particular a dura repressão que sofreram os metroviários de São Paulo na greve realizada esse ano, que culminou com a demissão de 42 trabalhadores – desses, 10 foram reintegrados.

 Atividade cultural: festival Soul dos Trilhos

 Nos primeiros dias do Congresso, o Sindicato dos Metroviários vai realizar uma atividade cultural o “Festival Soul dos Trilhos”, nos dias 11 e 12/9, com a apresentação de talentos musicais e artísticos dos funcionários e amigos. Diversas atrações estão programadas, com performances de forró, maracatu, capoeira e muita black music vão agitar as noites de 11 e 12 (quinta e sexta-feira), a partir das 19h. O Festival ocorrerá na quadra do Sindicato, terá a entrada franca e churrasco e cerveja a preço simbólico de 2 reais. 



http://cspconlutas.org.br/2014/09/abertura-do-5o-congresso-da-fenametro-e-nesta-sexta-feira-11-com-o-tema-direito-de-greve-e-organizacao-sindical/

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Onde está Jandira? Aborto clandestino mata

A criminalização e a ilegalidade do aborto matam, deixam marcas e somem com as mulheres

Por Rita Frau, do Pão e Rosas RJ e membro da Executiva Nacional do MML
São realizados um milhão de abortos no Brasil todos os anos, segundo o Ministério da Saúde, sendo que muitas mulheres perdem suas vidas em decorrência de abortos clandestinos e mal feitos, na sua maioria pobres, negras e trabalhadoras. O SUS (Sistema Único de Saúde) registrou em 2013, curetagem pós-abortamento de 243 mil mulheres. Quando não morrem, sofrem as sequelas de um procedimento inseguro em condições insalubres, e existem os casos como de Jandira, que no dia 27 de agosto saiu de casa, com medo, para fazer um aborto clandestino e nunca mais voltou. Mais um caso escancara a angustiante e triste realidade de mulheres que recorrem ao aborto clandestino todos os dias em nosso país, que é uma das principais causas de morte entre as mulheres.
Jandira Magalena dos Santos1, de 27 anos, estava grávida mas não poderia levar a gravidez adiante pois já tem dois filhos e tinha medo de perder seu emprego optando assim, pelo aborto clandestino. Economizou “à duras penas” 4,5 mil reais para realizar um aborto numa suposta clínica clandestina em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro (que já foi confirmado estar desativada faz 2 anos), pois buscava a forma mais “segura” para realizar o procedimento . Chegou ao ponto de encontro, onde se encontravam mais duas mulheres grávidas, que também esperaram pela responsável que as levaria até o local para fazerem o aborto. Foi no terminal de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, onde morava Jandira, que seu ex-marido que a acompanhava a viu pela última vez. Seu desaparecimento causa dor e desespero na família, principalmente à mãe de Jandira, que cada dia que passa sem o paradeiro da filha parece uma eternidade, mas se mantém firme na esperança de reencontrá-la.
Esta situação é parte da realidade que aflige várias mulheres todos os dias. O Estado com o apoio das Igrejas e setores reacionários criminalizam as mulheres que recorrem ao aborto negando este direito elementar, enquanto várias mulheres morrem na clandestinidade todos os dias. Mesmo o aborto sendo ilegal as mulheres de todas as classes, jovens, adultas, religiosas recorrem a este procedimento por diversos motivos: estupros, falha ou não uso de métodos contraceptivos, ou a própria realidade de milhares de mulheres pobres e trabalhadoras, que frente as péssimas condições de vida e falta de perspectivas se vêm obrigadas à não levarem adiante a gravidez. E são mulheres trabalhadoras como Jandira, que morrem ou sofrem na mão de terceiros que fazem deste direito negado, uma verdadeira máfia que também envolve a polícia e outras instituições para arrancar enormes lucros com o “negócio” do aborto clandestino.
Neste mesmo momento que não se sabe onde está Jandira, o debate eleitoral mostra duas mulheres candidatas à presidência, Marina e Dilma, mais uma vez se negando a defender este direito democrático para todas as mulheres, que é a legalização do aborto. No Rio de Janeiro, os principais candidatos ao governo do estado, Garotinho, Pezão, Crivela e Lindberg também fazendo coro com os pastores evangélicos e a Igreja católica contra este direito. Isso os coloca como co-responsáveis por esta triste situação que angustia milhares de mulheres pelo país.
A mãe de Jandira disse que ela estava com medo de perder o emprego por conta da gravidez e por isso realizaria o aborto, essa é a amostra que este mesmo Estado capitalista, que impõe às mulheres a maternidade, as coage para que não engravidem pois não querem arcar com os direitos, como a licença maternidade, e não garante nenhuma condição para que possam exercer a maternidade dignamente.
Este caso é a prova de que se o aborto fosse garantido de maneira segura e gratuita nos hospitais públicos, com o devido acompanhamento médico e psicológico, mais Jandiras deixariam de morrer e desaparecer.
É pelo esclarecimento do caso de Jandira e para salvar a vida de milhares de mulheres que dizemos basta!
Pelo esclarecimento do caso de Jandira Magalena! Que todos os envolvidos no seu desaparecimento sejam punidos! Pela participação de organizações feministas na investigação desses casos!
Exigimos a legalização do direito ao aborto seguro e gratuito garantido pelo Estado! Pelo direito à métodos contraceptivos e anticoncepcionais de qualidade gratuitos e educação sexual em todos os níveis do ensino básico e nos postos de saúde nos bairros e comunidades!
Pelo direito à maternidade! Pela separação da Igreja do Estado!

1http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09/ninguem-some-como-fumaca-diz-mae-de-sumida-ao-ir-abortar-no-rio.html

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ASSÉDIO ZERO NO ZARCÃO - MML JOINVILLE - SC



Assedio zero no zarcão!
MML Joinville

    A realidade de violência contra as  mulheres, é crescente e cada vez mais alarmante! Acompanhamos diariamente a naturalização dessa violência com propagandas como a do metro em São Paulo, onde afirma que” trem lotado é ótimo para xavecar mulheres”.  Ou a pesquisa do IPEA que apontava que uma parcela significativa da população defende que o tipo de roupa de uma mulher valida o estupro . Somente em São Paulo já foram presos 17 homens este ano acusados de “encoxar” mulheres nos vagões, muitos desses casos chegaram ao extremo de estupro, sendo que há até uma página nas redes sociais com mais de 12 mil seguidores onde esse tipo de violência é incentivado.

       Mas não precisamos ir muito longe, aqui em Joinvile, Santa Catarina, essa violência se dá no transporte público  todos os dias no famoso (zarcão). O transporte publico sem dúvida nenhuma, é aonde acontecem  vários  casos de abusos sexuais, passadas de mão, encochada, xaveco, nas cidades maiores existe inclusive homens que tem suas ejaculações na roupa de passageiras. É , isso é um absurdo, mas existe!
 
        O abuso sexual no transporte publico , é ainda  muito difícil de ser denunciado, pois as mulheres que sofrem esse tipo de agressão raramente denunciam , por vergonha, por medo dos julgamentos, e porque geralmente ao invés de serem as vitimas se tornam as culpadas pela violência. A justificas são várias, mas sempre culpando a mulher. Ou porque estavam “provocando”, estavam no “lugar errado”, na “hora errada”, ou porque poderiam ter pego outro ônibus menos lotado. Isso é um Absurdo! Não podemos mais aceitar o esses abusos fruto do Machismo nos culpando e abusando de nossos corpos todos os dias. A mulher não é nunca a culpa pelos abusos que sofre, seja ela , física, moral, verbal ou psicológica homem nenhum tem esse direito! 



             Todos esses fatos e acontecimentos diários, a falta de comprometimento da empresas Gidion e Transtusa e da prefeitura municipal, que simplesmente fecham os olhos para esses acontecimentos, reforçam ainda mais o  machismo e a falta de prioridade e atenção a essa grande de mulheres que sofrem com esse problema todos os dias. Outro elemento fundamental é o investimento dos governos  federais estaduais e municipais  na melhoria do transporte público. Homens e mulheres trabalhadoras são cotidianamente humilhados e desrespeitados quando vão ao trabalho ou voltam para casa, contudo para as mulheres essa situação é ainda mais desesperadora porque além do cansaço e do estresse que enfrentam no transporte coletivo, precisam se preocupar com o constrangimento e a agressão do abuso sexual. 

          Zarcão lotado não é justificativa para “encoxadores”, mas é um espaço que favorece esse tipo de prática. Precisamos exigir desses governos maiores investimentos no transporte publico, que ele seja de fato público, para aumentar numero de frotas, e diminuir o assedio sexual. Precisamos de  Transporte público 24h e iluminação dos pontos de ônibus, garantindo segurança para as mulheres!
A campanha foi de  25/08 e a 29/08 com panfletagens , nos grandes terminais de Joinville,norte ,sul, e central. Panfletagem em uma fabrica têxtil ( Döhler), onde a maioria das mulheres utilizam o transporte publico. E palestras na universidade Univille e outro espaço acadêmico chamado Ielusc.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

GLOBO, A MULHER NEGRA NÃO É UM PEDAÇO DE CARNE E NEM UM OBJETO


Nota pública do Quilombo Raça e Classe e Movimento Mulheres em Luta

Essa semana a Globo começou a divulgar a nova série que irá ao ar dentro das próximas semanas, “Sexo e as negas”. O seriado escrito por Miguel Falabella, vem para parodiar a série americana “Sex and the city".

Ainda sem data de estréia, o seriado tratará da vida de quatro mulheres negras, moradoras do Cordovil no Rio de Janeiro, que trabalham como camareira, operaria, costureira e cozinheira. Mesmo diante da pobreza em que vivem, essas quatro mulheres sonham em encontrar um parceiro sexual e para isso fazem de tudo.

Historicamente, nós, mulheres negras, ocupamos os piores postos de trabalho, fomos arrancadas das senzalas e jogadas nas favelas e periferias como se fôssemos objetos. Somos hiper sexualizadas, marginalizadas e por isso estamos sujeitas aos piores tipos de violência, seja sexual ou física e policial.

O Brasil tem a maior população negra fora do continente africano, mesmo assim, somos invisibilizadas nas novelas, séries e filmes e quando aparecemos somos as domésticas ou uma família pobre que tem o papel de entreter os telespectadores como o núcleo cômico da trama, ou então somos ridicularizadas como é o caso do programa Zorra Total, também da Globo.

O nome “Sexo e as Nega”, carrega todo o peso histórico construído pela ideia de que somos objetos, pedaços de carne, prontas para o sexo, seja ele a hora que for. Como se pelo fato de sermos negras, estivéssemos dispostas às vontades dos homens em transar com a gente.

Uma série como essa, não trás visibilidade nenhuma para a população negra e muito menos para as mulheres negras que são escondidas nas séries e novelas globais, muito menos têm como intuito mostrar a situação da população negra nos morros e favelas do país. Essa série não representa as mulheres negras!

Não somos um objeto e nem um pedaço de carne! Não vamos aceitar que mais uma vez se sustente a ideia de que somos objetos prontos para serem utilizados para o sexo! Queremos respeito tanto com os nossos corpos, quanto com as periferias e subúrbios que estão cheios de nós, que somos mulheres negras e trabalhadoras!

A nossa vida está longe de ser regada à alegria e sexo! Nós continuamos morrendo pela policia, continuamos ocupando os piores postos de trabalho, perdemos nossos filhos todos os dias por conta da violência policial nas periferias. Cada uma de nós temos um pouco de Beth que teve seu companheiro morto pela polícia; cada uma de nós temos um pouco de Cláudia que foi cruelmente arrastada como se fosse um objeto pela polícia. Somos mulheres negras e trabalhadoras, e o nosso cotidiano, diferente do que a Globo tenta pintar, é uma luta constante contra a exploração e a opressão. Nossa luta é por uma vida digna, onde não estejamos mais sujeitas às atrocidades de uma sociedade que nos violenta todos os dias.

Não aceitaremos que a grande mídia nos coloque como a carne mais barata e assim continue perpetuando um papel racista e nefasto que todos lutamos para desconstruir.

Queremos investimento em saúde nas periferias, trabalhos dignos, educação e de qualidade! Exigimos políticas públicas de combate à violência às mulheres negras!

 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

TOPO APOIO À GREVE DOS TRABALHADORES DA USP! ELA TEM QUE VENCER!


A histórica greve que os trabalhadores da USP vem construindo há100 dias contra 0% de reajuste e em defesa da educação pública e do Hospital Universitário (HU) é um exemplo para toda a classe trabalhadora. Enfrentando a reitoria e o governo Alckmin, que desde o inicio tenta quebrar a greve descontando os salários com um atentado ao direito de greve através do corte de ponto, os trabalhadores respondem com seus métodos históricos, como piquetes, atos de rua, fundo de greve e protagonizaram o maior trancaço (fechamento dos portões de toda a universidade) dos últimos tempos. Foi feita também uma grande campanha de fundo de greve para ajudar os trabalhadores que tiveram o ponto cortado e se mantivessem na luta. O resultado dessa mobilização histórica foi a retirada do corte de ponto, com a justiça, através do TRT, determinando que a USP pague os dias descontados. Sabemos que não podemos confiar na justiça que está do lado dos patrões e pode até mesmo retirar essa concessão, portanto essa vitória foi fruto da força da mobilização dos trabalhadores.

 
A greve teve como uma de suas campanhas centrais a luta pela libertação de Fábio Hideki que foi solto pela força da campanha democrática impulsionada pelos trabalhadores. Também esteve ao lado dos metroviários em greve e apóia a luta contra as demissões e fez uma campanha de doação de sangue, mostrando que defende a educação e saúde à serviço da população, dando exemplo de uma luta não corporativa. A organização da greve - comando de greve, assembleias soberanas, reuniões nos locais de trabalho - tem priorizado que as mulheres estejam na linha de frente e defendido as demandas da população e das mulheres como a campanha da realização do exame de Papa Nicolau de 800 mulheres que estão na fila de espera do HU devido à falta de funcionários, e a campanha pela contratação de enfermeiras que será impulsionada pela Secretaria de Mulheres do Sintusp. 



Também foi grande exemplo a 2. passeata de bebês e crianças, organizada pelas trabalhadoras e trabalhadores da creche, que reuniu trabalhadores, estudantes e seus filhos, reivindicando mais creches, mostrando que apenas com a mobilização será possível garantir os direitos das mulheres trabalhadoras e da classe trabalhadora. 

 
Foi organizado também o "Cantinho das Crianças", que contou ativamente com a participação do grupo de mulheres Pão e Rosas, que integra o MML, durante assembleias e comando de greve para que as mulheres possam participar, mostrando que o capitalismo, os governos e patrões fazem com que as mulheres sejam exploradas no trabalho e também responsáveis pelas tarefas domésticas, impondo a dupla jornada de trabalho impedindo que as mulheres vivam a vida pública e possam se organizar.


O MML apoia esta greve para que ela triunfe e seja uma lição ao conjunto da classe trabalhadora! Nos somamos como parte da luta contra a desvinculação do Hospital Universitário da USP e em defesa do HRAC (Bauru), e para que as reivindicações sejam atendidas e não haja nenhuma punição aos trabalhadores em greve! 
 
Para contribuir com a campanha do fundo de greve e solidariedade da USP:
 
Banco do Brasil, Agência 7068-8,
Conta Poupança 5057-1 (Variação 51)